Com três saltos se faz uma campeã

Carla Pinhão campeã nacional de triplo salto… apesar das fracas condições de treino na pista da Universidade

 

06-09-2007

Texto de Pedro Farias

 

Tem tido uma vida aos saltos?
[risos]


Carla Pinhão (CP): Nem sempre. Quando fui para o Grecas comecei a correr meio fundo. Depois o meu treinador viu que eu tinha mais qualidades para as barreiras. Entretanto passei das barreiras para os saltos, primeiro em comprimento depois para o triplo salto. No primeiro ano de juvenil fiz 11,14 metros o que era a melhor marca nacional daquele escalão. Depois fui evoluindo.

Como é que uma menina de nove anos vai parar ao atletismo?

CP: Já corria muito quando andava na escola primária, principalmente em provas de atletismo da aldeia. Depois, como o meu tio fazia parte da direcção do Grecas, e viu que eu tinha algumas aptidões físicas, chamou-me para o clube. Ao início fui por brincadeira. Nunca pensei chegar tão longe. Mas agora… Atletismo para sempre.

É uma paixão o atletismo?

CP: Exacto.

O país tem tido recentemente atletas a obter grandes resultados em palcos internacionais. O atletismo estará na moda?

CP: Infelizmente em Portugal praticamente só se pensa em futebol e esquece-se as outras modalidades onde o país tem tido grandes resultados. Gostava de dar os parabéns ao Nélson Évora [campeão mundial de triplo salto], que já tive oportunidade de conhecer. Ele pertence ao Benfica e o Grecas, apesar de ser um clube de aldeia, também faz parte dos melhores clubes nacionais. Fazemos por isso o apuramento e a final de clubes onde nos encontramos de vez em quando. Ele é uma pessoa humilde que trabalha imenso. Parabéns para ele que merece este título.

A humildade e o trabalho são os segredos dos campeões?

CP: Exactamente. Acho que um atleta tem de ser sempre humilde. A fama não deve subir à cabeça. Nunca nos podemos esquecer de que vimos de baixo e que ninguém começa lá em cima. Toda a gente tem de trabalhar para chegar onde o Nélson Évora, a Naide Gomes ou o Rui Silva chegaram. Todos temos que trabalhar.

Como é o dia a dia de um triplista?

CP: Eu trabalho durante o dia até às sete. Depois treino até às 21h30, isto todos os dias. Aos fins de semana - praticamente todos - há competições.

Não parece nada fácil saltar três vezes antes de ‘aterrar’ na areia…

O triplo salto é considerado uma das disciplinas mais difíceis de fazer do atletismo. Tem de se fazer um hop (espécie de pé coxinho), depois um step (uma passada larga) e depois o jump que é o salto para a areia. E com isto tem de se tentar chegar o mais longe possível.

Há uma técnica própria de corrida, os braços ajudam muito, há muitos aspectos técnicos…

 

 

Que condições de treino tem o Grecas?

CP: Não temos grandes condições. Treinamos na pista da Universidade de Aveiro que já está um pouco gasta e é muito ventosa, o que torna as coisas mais difíceis para acertar a corrida nos saltos. O nosso clube paga para podermos entrar. Por vezes treinamos à chuva. Depois há as restrições de entrada na pista. Às vezes não nos ligam as luzes e temos de treinar às escuras… É complicado, mas com esforço tudo se consegue. Em Vagos estavam a construir um estádio mas infelizmente pararam as obras.

 

 

Se o Grecas tivesse outras condições…

… os resultados podiam ser ainda melhores. Às vezes temos que deixar atletas irem embora para clubes grandes porque infelizmente as condições não são as melhores. E somos dos clubes do distrito que tem mais atletas em todos os escalões.

 

Ficha Técnica

 


Nome: Carla Sofia Vieira Pinhão


Idade: 17 anos


Naturalidade: Salgueiro – Vagos


Clube: Grecas (Atleta desde os 9 anos)

 

Profissão: Cabeleireira
 

Palmarés principal:

 

- Vice campeã nacional de Triatlo (infantil)

- Campeã nacional de estafetas

- Vice-campeã nacional de salto em comprimento

- Campeã Nacional Juvenil de Triplo salto (2007)

- 13ª no Festival Olímpico da Juventude Europeia em Belgrado (2007)


Próxima meta: Obter mínimos para o Europeu de Juniores em 2009.


Sonho: ir aos jogos Olímpicos

 

© 2007 - Entrevista da autoria de Pedro Farias,

publicada na edição de 6 de Setembro de 2007 no jornal O AVEIRO