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Porquê a escolha dos lançamentos em
detrimento da corrida, por exemplo?
Renato Costa (RC): Comecei com o
meio fundo. Mal sabíamos o que eram os
lançamentos. Para nós o atletismo era
correr. Comecei a correr, mas uma vez fui a
Viseu fazer um arremesso de bola, que era a
iniciação para o dardo. Cheguei atrasado e
não fiz a prova e havia uma prova de disco.
Fui fazê-la foi a primeira vez que peguei
num disco. Fiz 14 metros e qualquer coisa.
Esse valor era bom?
RC: Não, é péssimo. Comecei a
treinar disco e fui subindo até que bati o
recorde regional de Aveiro de infantis, que
era de 24 metros. Fiz 32 em Viseu. A partir
daí, treinei sempre disco.
Por que abandonou a corrida?
RC:
Por causa da
estatura física. É mais cansativo e também
sou pesado. Nesta altura da época estou com
92 quilos. Além disso, a vontade de ir aos
treinos para correr também não era muita.
Por que razão se sente mais à
vontade no disco, ao nível dos lançamentos?
É a disciplina que mais gosto, além de ter
sido aquela por onde comecei. Fiquei mais
motivado para o disco. Também gosto de fazer
o peso mas cai mais perto. É mais fixe ver o
disco a subir e ir mais longe. Depois,
também porque treino com a Teresa Machado,
que foi quatro vezes aos Jogos Olímpicos no
disco. O seleccionador nacional é mais
especialista no disco também...
Como tem sido a experiência de
treinar com a Teresa Machado? É uma
inspiração?
RC:
Também.
Estamos sempre na brincadeira uns com os
outros.
Dá-lhe muitos conselhos?
RC:
Muitas vezes
dá.
Costuma segui-los?
RC:
Sim. Não são
conselhos que ainda não tenha ouvido mas
sim.
Que tipo de conselhos recebe?
RC:
Os conselhos
são mais técnicos porque nas provas não sou
muito nervoso. Faço as provas calmo,
descontraído.
Como são os treinos de um lançador?
RC:
Começamos com
um aquecimento, uma ligeira corrida de cinco
minutos por dia, nem tanto às vezes. Fazemos
os exercícios de aquecimento, de braços e
pernas.
Por vezes fazemos uns abdominais antes de
começarmos os treinos. Fazemos de dez a 15
lançamentos de disco parado e depois
começamos a fazer o lançamento completo, já
com a técnica, fazendo de 30 a 40
lançamentos. Não treinamos os lançamentos,
fazemos os lançamentos para ir melhorando e
apurando a técnica. Depois fazemos a chamada
força especial.
Força especial?
RC:
Sim. Trata-se
de lançar o disco com um peso de dois quilos
na mão, que faz mais força. Fazemos dorsais,
com o peso para trás, o que trabalha as
pernas e os braços.
Como define a técnica necessária?
RC:
É exigente.
Tem de ser muito treinada ao longo do ano.
Temos o exemplo da Teresa Machado, que levou
anos a apurar a sua técnica mas quando a
apurou foi considerada das melhores do mundo
ao nível da técnica.
Quais as principais noções técnicas a
reter num lançador do disco?
RC:
O básico é
andar com a perna direita por fora. A perna
tem de andar por fora para ir para o meio do
círculo, para o pé direito rodar no chão,
para por sua vez o pé esquerdo fixar no
chão, a anca entrar e lançar o disco.
Até onde conseguiu lançar nos vários
tipos de lançamentos?
RC:
Em iniciados,
com o disco de um quilo fiz 50,54 metros e,
com o peso, 14,43 metros. Como juvenil, fiz
47,03 metros com um disco de um quilo e meio
e, com um peso de cinco quilos, fiz 14,20
metros. Sou juvenil do primeiro ano, ainda
me falta um ano de juvenil com os mesmos
pesos.
Até onde gostaria de lançar?
RC:
Talvez chegar
a um recorde nacional, que neste momento é
do Paulo Bernardo com cerca de 60,5 metros.
O objectivo para o futuro são os Jogos
Olímpicos. Daqui a dois anos, para começar a
época internacionalmente, os campeonatos da
europa de juniores e daqui a três, os
campeonatos do mundo de juvenis. Depois,
sempre a subir.
Decorrem neste momento os campeonatos
mundiais de atletismo no Japão. Vê-se como
atleta de um mundial?
RC:
Ainda na outra
noite esteve a dar o lançamento do disco e
eu pensava que gostava de lá estar um dia...
Estar em competição é completamente
diferente de estar num treino...
Sim, é completamente diferente. durante as
provas não se pode corrigir erros técnicos.
Dá-se uma dica aqui ou acolá mas não se pode
estar a corrigir grandes erros. É para
chegar ali, fazer o que fizemos no treino
nos dias anteriores, se foram bons treinos,
e lançar o máximo possível.
Também é preciso uma grande força de
braços...
Sim, no início da época fazemos ginásio mais
ou menos uma vez por semana. Temos um
ginásio no pavilhão da Gafanha da
Encarnação. É pequeno mas tem boas
condições. São condições que muita gente não
tem e gostaria de ter, não são as melhores
mas são muito boas.
Não pratica o lançamento do martelo. É
mais complicado?
RC:
É uma técnica
completamente diferente da do disco. No
martelo temos de andar com as pernas
fechadas e no disco elas têm de andar
abertas.
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Palmarés
principal:
- Campeão
nacional no lançamento do disco no Olímpico
Jovem nacional (2007)
- Vencedor
da Taça da Federação Portuguesa de Atletismo
no lançamento do disco e segundo
classificado no lançamento do peso (2007)
- Campeão
nacional da prova de lançamento do disco, em
desporto escolar, e quarto classificado no
lançamento do peso (2007)
- Terceiro
lugar no Campeonato Nacional de Juniores em
lançamento do disco (2007)
- Segundo
classificado (como iniciado) no Campeonato
Nacional de Inverno na prova de lançamento
do dardo e quinto classificado no lançamento
do disco (2006)
- Segundo
lugar no Olímpico Jovem nacional, no
lançamento do peso (2005/2006)
Próxima meta: Conseguir mínimos para
o estatuto de alta competição em 2008, no
lançamento do disco. Ganhar o campeonato
nacional e as provas mais importantes e ir
ao campeonato do mundo de desporto escolar.
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