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Entrevista ao
Prof. José Santos
18-05-2007 |
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As
impressões do Técnico Nacional de Velocidade
e Estafetas
José
Fernando da Conceição Santos, 1.85m por
80Kg, nasceu em Figueiró dos Vinhos,
distrito de Leiria, em 17 de Setembro de
1953. Ainda de fraldas emigrou para Angola
onde se manteve até à idade adulta.
Praticou
atletismo de 1968 a 1975. Foi velocista
chegando a 10,6seg. nos 100m, feitos na
pista de cinza do velho Estádio dos
Coqueiros, em Luanda, sendo ainda
vice-campeão de Portugal.
Licenciou-se em Educação Física e Desporto
na Universidade Lusófona.
É Mestre em Ciências do Desporto de Alto
Rendimento pela Universidade do Porto.
Foi
Director Técnico Distrital da AAA de 1979 a
2003.
É Membro de
Mérito da AAA desde 1994.
É director
do Centro de Formação da Zona Centro desde
2000.
É Técnico
Nacional de Velocidade desde 2003.
Foi técnico
pessoal de alguns destacados atletas de que
são exemplo: Arnaldo Abrantes (pai), José
Carlos Marques, António Tavares, Rui Barros
e Rui Cabral. |
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AAA – O que
recordas dos teus tempos de atleta?
José Santos (JS)
– Comecei num corta mato em 1967 ou 68. Mais
tarde, com idade de juvenil, disputei uma
corrida de 80m no asfalto na Gabela e ganhei
com grande avanço: foi aí que vi que era
velocista. Passei depois para a fase
provincial no Novo Redondo, Sumbe. As fases
seguintes da minha carreira foram as provas
da Mocidade Portuguesa, em Luanda, o
equivalente ao nosso Desporto Escolar em
Luanda, onde corri os 80 e os 300m. O prof.
Alberto Quadros, técnico provincial,
convidou-me e fui para Luanda estudar
Educação Física e treinar no Sporting Clube
de Luanda - apesar de ser benfiquista.
Depois vim para Portugal e representei o F.
C. do Porto enquanto acabava o curso naquela
cidade. A partir daí deixei de treinar bem.
Ainda representei o ACM de Coimbra e ainda
estive inscrito no S. C. Beira Mar.
Mas a minha carreira
de atleta foi sempre muito condicionada
pelos meus estudos. A partir de certa altura
já era mais importante a minha carreira de
treinador do que a de atleta.
AAA – Conta-nos em breves palavras como
chegaste ao atletismo de Aveiro.
JS: Como professor de Educação Física fui
colocado em Oliveira do Bairro. Iniciei logo
aí um núcleo de atletismo. Apesar de ser uma
escola pequena, cerca de 270 alunos, havia
jovens com muita qualidade, onde se
destacava o Arnaldo Abrantes e o meio fundista Mário Silva que, mais tarde, viria
a treinar com o Júlio Cirino, no Clube dos
Galitos de Aveiro. O primeiro convite veio
do ACM de Coimbra. Mais tarde o Engº
Octaviano Costa convidou-me, era presidente
o também Engº António Carretas, para eu vir
para a AAA como técnico distrital.
Entretanto também recebi um convite da
delegação de Aveiro da Direcção Geral dos
Desportos. Ponderei e aceitei.
AAA – Durante a tua permanência na AAA,
Aveiro teve um desenvolvimento assinalável.
Apelo ao teu poder de síntese para resumires
o que, em teu entender, foi mais visível
nessa evolução.
JS: Quando eu cheguei à AAA só havia uma
pista de cinza de 400M e 6 corredores, em S.
João da Madeira. Estava para ser construída
outra em Oliveirinha há mais de dez anos.
Consegui, com a colaboração de uma Engª
Gracinda, da Câmara Municipal de Aveiro,
desbloquear a situação e a pista foi
construída. Ficámos com duas.
Mais tarde
foram construídas mais duas: em Arada e na
Gafanha. Infelizmente todas estão
desactivadas.
Em termos
de atletas apostámos nos escalões mais
jovens, ganhámos durante uma série de anos o
DN-Jovem.
Em termos
de formação realizámos variadíssimos cursos
de monitores e treinadores de 3º grau. Foi
por proposta minha junto do DTN da altura, o
Prof. Jorge Vieira, que se começou a
realizar os cursos de 3º grau aos
fins-de-semana e localmente, em oposição ao
regime de duas semanas consecutivas. |
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AAA – Um
tema recorrente nas tuas preocupações foi e
é as instalações desportivas de competição e
sobretudo de treino. Fala-nos sobre isso.
JS: A pista de Aveiro foi a minha principal
esperança. Só que para meu grande desgosto,
andamos há uma década com problemas: ou não
se pode treinar, ou a pista tem problemas,
ou está vedada aos jovens que não têm
atestado médico, ou as gaiolas estão
destruídas. O pequeno armazém que foi
construído privilegia o material em desfavor
do ser humano. Quando eu estive há dias no
Brasil vi uma situação que até parecia uma
fotocópia de Aveiro. Até tenho fotografias
disso. Uma arrecadação parecidíssima com a
nossa só que tinha sala de musculação, uma
casa de banho e sala de fisioterapia: estava
ao serviço dos jovens. A nossa serve apenas
de arrecadação. Temos a pista mas não temos
o mínimo de condições para trabalhar.
Depois
tenho ainda que falar noutra pista que
também está construída ou quase e ainda não
se pode lá treinar: Lourosa.
Uma das
minhas mágoas enquanto treinador é nunca ter
tido oportunidade de treinar em condições
que permitissem levar os atletas mais longe.
AAA - Enquanto Director do Centro de
Formação quais são os teus projectos?
JS: Apoiar os atletas e treinadores em
termos de formação: proporcionar momentos de
formação aos treinadores e acompanhar os
jovens talentos. Às vezes não é possível
como nós queremos mas vamos tentando.
AAA – E ao nível dos dirigentes?
JS: Várias vezes foi proposto pelo Centro
formação nessa área. Mas por um motivo ou
por outro não se avançou. Mas penso que é
uma área muito importante, bem como a
Formação de juízes. No entanto, a vocação
fundamental do Centro é a formação de
treinadores e o acompanhamento dos jovens
talentos.
AAA - Enquanto Técnico Nacional de
Velocidade quais são os teus projectos?
JS: A minha preocupação quando cheguei ao
cargo foi mudar alguma coisa. Não quer dizer
que os colegas que me antecederam não
fizeram o melhor possível. Uma das minhas
primeiras preocupações foi a detecção de
talentos, o Mega Sprint junto das escolas.
Depois a mudança das distâncias, ou porque
eram deficitárias nalguns escalões, por
exemplo nos infantis apenas haviam 2
corridas, os 60 e os 1000m, aumentámos a
oferta com os 150m. Noutros escalões houve a
preocupação de evitar a especialização
precoce na resistência, baixando as
distâncias maiores dos 300 para os 250m nos
iniciados e dos 400 para os 300 nos juvenis.
Se calhar é por isso que estamos com
problemas nos 400m. Os resultados só se
saberão daqui a alguns anos. Outra ideia foi
incentivar a prática das estafetas: porque é
lúdico, porque é a única disciplina do
atletismo que é colectiva e depois porque é,
no sector, a disciplina que, infelizmente só
temos um Obikwelu e não dura sempre, a
disciplina, dizia, onde podemos ir mais
longe no plano internacional. Já conseguimos
o recorde nacional que tinha 16 anos, o
recorde nacional júnior de clubes através do
Benfica, o recorde nacional de juvenis, os
atletas do sector estão mais motivados a
aderir a esta nossa estratégia.
AAA – O que gostarias de dizer que não te
demos oportunidade?
JS: Estive 25 anos na AAA e gostei. Aveiro
diz-me muito, arranjei muitos amigos e,
naturalmente, alguns inimigos, houve algum
sucesso. Recordo-me que chegámos a ter 3
pistas com provas em simultâneo: S. João da
Madeira, Arada e Oliveirinha em 3 fases
locais de um DN-Jovem. O Olímpico Jovem teve
uma grande expressão. A AAA ganhou durante
muitos anos e foi essa a nossa principal
promoção junto da população estudantil.
AAA – Resta-nos agradecer a tua
disponibilidade para esta entrevista que se
destina a dar a conhecer aos mais jovens, o
perfil de um ilustre aveirense que muito nos
honra. Obrigado. |
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© 2007 José
Eduardo |
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