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Maurício Tavares e Companhia
O
atletismo na época de 50 estava concentrado nos grandes viveiros
de praticantes desportivos de Lisboa que eram Benfica, Sporting
e Belenenses. No Porto o Académico e o F.C. do Porto tentavam
seguir-lhes as pisadas, desenvolvendo igualmente um esforço
assinalável. Fora destas duas principais cidades, e já que
Aveiro e Anadia se haviam divorciado da modalidade, era com
agrado que se via um clube das faldas da serra, o Pejão A.C., a
bater-se com os melhores do norte, roubando-lhes alguns títulos
e batendo algumas das suas melhores marcas. Para além do já
citado Maurício Tavares, fundista de mérito, apresentava também
um bom saltador à vara e um lançador de dardo de categoria.
Certo que
havia atletas oriundos do distrito de Aveiro a representar
outros clubes, como acontecera nos anos trinta com atletas de
Aveiro a representar em força o Académico do Porto, por exemplo.
Neste início da década de 50 os mais categorizados eram Joaquim
Branco, natural da Pampilhosa, que defendia as cores do
Belenenses e que no meio-fundo prolongado batia recordes
nacionais uns atrás dos outros, batendo inclusive os melhores
fundistas espanhóis; e o outro era Carlos Vieira, natural de
Oliveirinha do Vouga, que representava o F. C. do Porto, que
alardeava boas qualidades de “sprinter” mas que o futebol, que
também praticava, sendo o extremo efectivo da equipa principal,
afastou cedo do atletismo. Esta situação mostrava que havia
gente no distrito para ser grande na modalidade mas que por não
haver clubes a praticá-la os levava a procurar outros sítios
onde o pudessem fazer.
O Pejão
apostou muito nas camadas jovens e assim começaram a aparecer
nos campeonatos e outras provas realizadas pela Associação ou
por clubes do Porto. Nas primeiras provas realizadas em Janeiro
de 1952, participaram no “cross” de aspirantes e no “corta-mato”
de juniores. Em aspirantes, com a presença de 27 praticantes,
alguns a calçarem os sapatos de atletismo pela primeira vez,
venceu Carlos Vieira Cunha, do Pejão, com um outro, Joaquim
Alves Soares, a ficar em terceiro; e em juniores, confirmando as
suas excelentes aptidões para a modalidade, com boa vantagem
sobre dois dos mais cotados pedestrianistas do F. C. do Porto,
venceu naturalmente Maurício Tavares, com mais dois atletas do
Pejão em 4º e 5º lugares.
Duas
semanas depois, os dois referidos atletas venciam os respectivos
campeonatos regionais de corta-mato da Associação do Porto. Em
aspirantes, logo a seguir a Carlos Cunha ficaram outros dois
atletas do Pejão e em juniores, acompanharam bem Maurício
Tavares os seus colegas de equipa que alcançaram os 4º, 5º e 8º
lugares, contribuindo assim para o 2º lugar colectivo a apenas 3
pontos do F. C. do Porto.
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Alberto Santos dos Pejão A. C., que fixou nova marca do
Norte no lançamento do dardo. |
Em Abril
iniciaram-se as provas de pista, com a disputa do “IV Torneio
Regional de Aspirantes”. O Pejão, para início, não esteve nada
mal e assim obteve quatro títulos, nos 700 m., disco, dardo e
vara. Destaque especial para Alberto Faria Santos, que venceu o
lançamento do dardo e o salto à vara, ficando ainda em 2º no
lançamento do disco. No dardo, ao efectuar um lançamento de
40,37 m. fixou nova marca do Norte nesta especialidade, batendo
o anterior máximo por cerca de 6 metros. Os outros títulos foram
para Vítor Manuel Faria nos 700 m. e António Gonçalves no
lançamento do disco.
Em 10 de
Maio, nos campeonatos nacionais de Principiantes, Carlos Cunha
batia o recorde regional do norte, nos 1.500 m., com a marca de
4m. 35,0s.
Em Junho
disputaram-se os campeonatos de juniores. No regional, Maurício
não deixou os seus créditos por mãos alheias e venceu a prova de
5.000 m., com o tempo de 16m32,6s, ficando um seu colega, José
Rodrigues, em 2º. Na 2ª jornada, venceu ainda os 1.500 m., no
tempo de 4m26,5s, que ficava a constituir novo recorde regional
do norte. No mesmo campeonato, Joaquim Rodrigues foi vencedor do
lançamento do dardo, com 42,98 m.
No
nacional de juniores, Maurício Tavares sagrar-se-ia campeão
nacional dos 5.000 m. com 16m19,2s, marca que ficaria a
constituir novo recorde regional do norte.
Entretanto
em Aveiro... repare-se nas duas curtas notícias respigadas da
imprensa local:
10-05-1952 - “Aveiro nos desportos”
O atletismo, exercício por excelência, com raízes fundas na
antiguidade, também viveu em Aveiro horas de glória. Mas foram,
infelizmente, horas de curta duração. Depois do “Internacional
Atlético Clube, fundado em 1932 por um punhado de jovens
desportistas, que à causa deram toda a sua esforçada boa
vontade, nada mais surgiu. E é pena! – pena, porque o atletismo
está indiscutivelmente na base de outras modalidades; e pena
porque as últimas provas organizadas em Aveiro tiveram lugar em
1936... já lá vão 16 longos anos!
21-06-1952 - Festa de homenagem em Esgueira
Provas de atletismo
100 e 200 m. livres foram ganhos por Artur Ferreira Leite e a
prova de corta-mato por Jaime Moutinho.
Finalmente, havia uma tentativa de voltar a acontecer atletismo
na cidade. Mas agora chamar-lhes metros livres (?!) não lembra
ao diabo!...
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