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A Década de 1950
Os anos 50 podem ser divididos em duas partes. A primeira até
1955, onde o atletismo do distrito teve apenas um representante,
que foi dominador a nível nortenho em provas de meio fundo, mais
precisamente da zona de Pedorido, onde se situavam as minas do
Pejão. Tratava-se do Pejão Atlético Clube, que desenvolveu um
trabalho notável na modalidade durante meia dúzia de anos. A
segunda parte, com início em 1955, o atletismo voltou à cidade
de Aveiro, após um interregno de cerca de 19 anos (?!), com o
reaparecimento da modalidade, primeiro no Clube dos Galitos e
logo de seguida em mais algumas colectividades da cidade.
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Maurício Tavares, do Pejão A. C., cortando a meta em
vencedor na categoria de juniores. |
Analisemos a prestação do Pejão Atlético Clube nos primeiros
anos da década de 50. A primeira aparição em provas levadas a
efeito por organismos oficiais, mais precisamente pela
Associação de Atletismo do Porto, data de 27 de Dezembro de 1950
na disputa do II Grande Prémio de Natal, na cidade do Porto.
Participaram na prova de “não filiados”, com a designação de
“Pupilos de Pejão Atlético Clube” e ficaram em 7º lugar
colectivo, com o melhor classificado individual a ser António
Ferreira, em 13º lugar.
Depois já
em Setembro de 1951, organizaram um torneio de provas de pista,
com provas de 83 m. barreiras, 1.000 m., 3.000 m., salto em
altura, salto em comprimento, salto à vara, triplo-salto,
lançamento do dardo e lançamento do peso. Os resultados foram
bastante animadores, que deixavam acalentadoras esperanças com
vista a futura representação em provas oficiais.
Para a história, o registo dos resultados do torneio:
- 83 m. barreiras – 1º Joaquim Rodrigues; 2º Cristiano Sales
- 1.000 m. – 1º Maurício Tavares; 2º José Maria Rodrigues
- 3.000 m. – 1º Maurício Tavares; 2º Adriano Ferreira
- salto em altura – 1º Cristiano Sales 1,60; 2º Hélder Araújo
1,50
- salto em comprimento – 1º Emídio Moreira 5,42; 2º Fernando
Ribeiro
- salto à vara – 1º Cristiano Sales 3,10; 2º Joaquim Rodrigues
2,80
- triplo-salto – 1º Fernando Ribeiro 10,83; 2º António Castro
10,64
- lançamento do dardo – 1º Joaquim Rodrigues 35,68; 2º Neves
Correia 30,38
- lançamento do peso – 1º Cristiano Sales 10,33; 2º Fernando
Ribeiro 10,17
Destas “performances” destaca-se o salto à vara, uma das mais
fracas especialidades do atletismo português na altura, e mesmo
depois durante dezenas de anos, em que o ecléctico Cristiano
Sales (verifique-se que também liderou o salto em altura e o
lançamento do peso e ainda foi segundo nos 83 m. barreiras)
alcançou a marca de 3,10 m., notável para a época.
Dele dizia nas suas “Nótulas aveirenses” do Primeiro de Janeiro,
João Sarabando:
“Cristiano Sales, que nos dizem jovem, será o futuro campeão?
Nunca o vimos saltar... Mas quem aparece assim de chofre, a
transpor 3,10 m. tem de ser considerado pelo menos como um sério
candidato...”
Para este êxito tão fulgurante do Pejão Atlético Clube
contribuíram duas pessoas: o treinador do clube, que era nem
mais nem menos que Francisco Duarte, atleta de nomeada e que
tinha sido “recordman” nacional do salto à vara, ainda com bons
resultados noutras especialidades e que, como se referiu
anteriormente, representou o Académico F. C. do Porto, por onde
foi internacional; e o dirigente das Minas do Pejão, o engº
Jacques Tyssen, com uma obra digna do maior apreço em benefício
do pessoal das Minas, a favor do desporto em geral e do
atletismo em particular.
A orientação eficiente que foi administrada a este grupo de
jovens, permitiu que o Pejão A.C. aparecesse em provas oficiais
e ultrapassasse de algum modo os clubes grandes do Porto na
modalidade, que eram o Académico, o F. C. do Porto e ainda o
Operário.
Assim, em 30 de Setembro desse ano de 1951, participaram no
torneio do Académico, tendo obtido interessantes resultados, com
especial destaque para Maurício Tavares que, em estreia, ficou
em 2º lugar nos 1.500 m., com o tempo de 4m. 32,0s.
E logo duas semanas depois, o brilhante atleta que viria a ser
por alguns anos Maurício Tavares, superava o recorde do norte da
milha, com 4m44,2s (o anterior pertencia ao atleta do Académico,
Casimiro Gonçalves, com 4m. 54,0 s.). O “desconhecido” Maurício
Tavares bateu o anterior recordista por 10 segundos de diferença
e deixou a nítida impressão de poder ainda fazer melhor, pois se
limitou a acompanhar o andamento dos adversários, apenas
acelerando na parte final.
Voltando a citar João Sarabando em mais uma das suas “Nótulas
aveirenses”:
“ O distrito de Aveiro podia desempenhar papel de relevo no
atletismo nacional... De pé, já a magnífica altura, apenas o
Pejão reluz. Perdido nas dobras da serra, trabalha afanosamente.
Conta já com um “recordman” do norte, dispõe de um saltador à
vara que transpõe os três metros e não tardará a apresentar um
lançador de dardo de boa categoria”
Repare-se em duas especialidades difíceis, especialmente quando
se trata de provas realizadas na província, com a escassez que
sempre houve de locais e materiais para determinadas provas,
como são o salto à vara e o lançamento do dardo, que tiveram em
atletas do Pejão A.C. bons executantes.
Mas o “craque” da altura era, sem dúvida, Maurício Tavares, que
nesse ano de 1951 era ainda júnior. E foi como tal que, no III
Grande Prémio do Natal, do Porto, foi primeiro, sendo terceiro
na geral em conjunto com os seniores. Colectivamente, o Pejão
dominou com 19 pontos, recebendo pelo facto a taça “Joaquim
Moreira Júnior”, um grande entusiasta da modalidade e que viria
a ter alguma influência no atletismo aveirense alguns anos mais
tarde, nomeadamente no capítulo do julgamento de provas da
modalidade.
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