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Provas de estrada
Passando para as corridas de estrada, Ovar era a terra do
distrito onde o entusiasmo pelas corridas fora de pista era mais
acentuado. Poder-se-á até dizer que quase único (esporádicas
presenças do Anadia).
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MANUEL LABORIM, magnífico vencedor da «I Légua popular
do Porto», da «Légua de Ovar — Furadouro»
e 3º na «Légua dos Restauradores», levada a efeito na
capital do Norte |
Efectuava-se com regularidade a denominada “Légua de Ovar”,cuja
primeira edição se realizou em 1927, tendo como vencedor
individual Eduardo Leite, do Académico do Porto, e por equipas,
o F. C. do Porto, que bisariam no ano seguinte.
O pioneiro desta grande festa do atletismo vareiro, que se
prolongaria sem interrupção até 1935, foi o Aliança Futebol
Clube. Teria uma falha de 1936 a 1941, mas esta agremiação
voltaria a organizar as edições de 1941, 1942 e 1944.
Nas edições da “Légua de Ovar”, neste período em que a
organização esteve nas mãos do Aliança F. C., registe-se que só
na última, em 1944, o vencedor individual conseguiu ser um
atleta do distrito, mais precisamente António Barros, do clube
organizador.
Nas edições antecedentes, dignas de registo um 2º lugar (Horácio
Mendes) e um 5º lugar (Herculano Rodrigues) na 1ª edição em1927,
por atletas do Anadia F. C., um 5º lugar (Alfredo Alves) em
1929, atleta do Aliança, um 4º lugar em 1932 (Manuel Teques) do
Estrela F. C. de Ovar, um 3º lugar em 1934, por Jacinto Augusto,
do Atlético Clube de Ovar e um 2º lugar em 1942, por António
Mota, do Aliança F. C. Ovar.
Verifica-se que, com excepção da 1ª edição, onde atletas do
Anadia ainda competiram, depois só atletas vareiros conseguiam,
de algum modo, sobressair nestas provas de estrada.
Nas primeiras oito edições, para além dos atletas da casa,
compareciam sempre os melhores pedestrianistas do Porto. Em 1935
começaram a aparecer atletas de Coimbra com bons resultados e
até um atleta do sul, mais propriamente Angelino Pinho, do
Benfica, que não alcançaria melhor que um 4º lugar nesse ano de
1935.
O primeiro ciclo desta corrida, denominada “Légua de Ovar” e de
promoção do Aliança F. C., terminou no ano de 1944, sofrendo
depois um interregno de cinco anos.
Entre 1929 e 1934 ainda a “folha de trevo” do Anadia F. C.,
estampada nas camisolas dos seus atletas, apareceria em primeiro
a passar na meta em algumas provas de estrada. No I Campeonato
Nacional da Légua, disputado em Lisboa, Horácio Mendes
classificar-se-ia em 7º lugar e no II Campeonato seria Pereira
Teixeiro a obter na capital um brilhante terceiro posto entre os
representantes de todos os distritos do país.
Entre 1944 e 1949, não há notícia de feitos notáveis na
modalidade.
Nos finais dos anos 40, quer Anadia quer Aveiro tinham-se
eclipsado e só alguns clubes pequenos de Ovar mantinham acesa a
chama do atletismo distrital, ainda que apenas a nível de provas
de estrada.
Mas em 1949, apareceu o Desportivo “Os Onze Verdes” de Ovar, com
um atleta brilhante, que batia o pé aos pedestrianistas do
Porto, habituados que estavam a vencer todas as provas de
estrada realizadas no norte do país.
Com a participação de cerca de 150 concorrentes de vários pontos
do país (apareceram clubes de Leiria e Alcácer do Sal, dos mais
a sul), disputou-se no dia 17 de Julho de 1949 a “I Légua
Popular do Porto”, em que, para além do “Onze Verdes”, esteve
também presente o Clube Escola Livre de Azeméis (que não obteve
grandes qualificações). Manuel Laborim foi o destacado vencedor,
com os seus colegas de equipa João Pinto (11º), José Silva (15º)
e Ventura Pinho (16º) a contribuírem para o terceiro lugar
colectivo, atrás do Grupo Desportivo Entre Parentes e do C.
Futebol de Valadares.
Em 18 de Setembro desse mesmo ano (ou 28, segundo outras
fontes), o “Onze Verdes” organizaria mais uma légua de Ovar, que
seria a 13ª edição, na sequência (isolada, pois a seguinte seria
só em 1952). Venceu de novo Manuel Laborim, do clube
organizador, com os seus colegas já citados a serem 8º, 13º e
22º. Colectivamente o “Onze Verdes” seria de novo 3º, agora
atrás do C. F.. Valadares e Grupo Desportivo Vilar do Paraíso.
A prova foi disputada por 91 atletas, em representação de mais
de uma dúzia de organizações populares de vários pontos do país,
entre os quais o Grupo Desportivo Santamarense, de Estarreja.
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Nótulas aveirenses - 15-08-1947
Atletismo aveirense e
anadiense – uma saudade
“Clubes humildes de Ovar mantêm acesa a chama do atletismo
no distrito.
Anadia, que posição tão preponderante logrou no concerto
nacional, eclipsou-se. E Aveiro, que lhe seguia as
pisadas, sumiu-se também... E a verdade é que, mesmo sem
pistas – que se se prosseguisse já hoje podiam existir –
operaram-se em Aveiro e em Anadia, coisas interessantes.
Mas o poderoso e exclusivista imã que é o futebol, por um
lado, e os técnicos da intriga, por outro, fizeram com que
o atletismo não passe hoje, Ovar à parte, de uma saudade
mais.
Quando é que Anadia e Aveiro regressarão aos áureos tempos
em que brilharam o Francisco, o Mário e o Carlos Júlio
Duarte, o Vasco Rocha, o Gonzalez, o Manuel Matos, o Nuno,
os Veiga, o Vítor e mais outros – que brilharam tanto nas
suas terras como nas pistas consagradas de Lisboa e Porto,
quando ?!...
João
Sarabando |
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