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Começa a “mexer” em Aveiro cidade
Temos que complementar o que se dizia na primeira parte destes
“subsídios...”, no que respeita ao início da modalidade na
cidade de Aveiro, pois o mesmo terá acontecido pelo ano de 1922.
(Ver
texto em destaque)
Há notícias (embora não se tenha conseguido informação) que as
tais “festas sportivas” que o semanário “Democrata” refere, só
no ano seguinte se viriam a concretizar, com a presença de dois
nomes grandes do atletismo nacional de então: o recordista
nacional dos 100 metros, Gentil dos Santos, do Clube
Internacional de Futebol e Júlio Montalvão, que era o campeão de
salto em altura, também nos anos 20.
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“Início?!”
“O Democrata”, semanário de Aveiro da época, noticiava em
14 de Outubro de 1922 o início da modalidade (embora à
mistura com outras, como veremos na notícia) na cidade de
Aveiro. Transcrevemos a notícia na íntegra, para não lhe
tirar o sabor.
“A exemplo de Lisboa e Porto, Aveiro vai ter amanhã dia 15
o seu primeiro campeonato de Sports Atléticos, promovido
pelo A. C. A., que nesse sentido tem trabalhado com o
melhor do seu esforço.
As provas a efectuar pelos concorrentes de todos os clubes
de Aveiro que desejaram inscrever-se, constam de corridas,
saltos, lançamentos, lutas de tracção, box, place-kick,
etc..
Vai grande animação entre os “sportmen” da nossa terra e
oxalá o público, compreendendo o significado de tão úteis
provas, apareça no campo do Cojo a aplaudir aqueles que,
pelas suas condições naturais ou de treino, conseguirem a
vitória.
Antes de se dar início ao programa, que só a absoluta
falta de espaço nos inibe de publicar, as equipas do
Atlético Clube Aveirense, Clube dos Galitos, Beira-Mar e
Empregados do Comércio, desfilarão em continência diante
do júri de honra, que será constituído pelos srs. Mário
Duarte (pai), Dr. Egas Pinto Bastos e Barão de Cadoro.”
Notas:
- O A. C. A. era o Atlético Clube Aveirense que tinha a
sua sede na rua do Arco
- O campo de jogos do Cojo situava-se onde hoje está
implantado o Mercado Municipal
Mas “as festas sportivas” não se chegariam a realizar por
terem ficado prejudicadas pelo mau tempo, conforme
noticiava o mesmo “Democrata” na semana seguinte. |
Nessa mesma competição de 100 metros, realizada no campo do Cojo
(e socorrendo-nos ainda do apreciado jornalista João Sarabando),
o Dr. Luís Regala, ilustre aveirense de renome, terá dado
bastante luta a Gentil dos Santos. Mas terá sido o único, pois
dos restantes não reza a história.
Julga-se que estas provas terão tido lugar em 11 de Novembro de
1923, conforme o jornal “Democrata”, que refere “todas as outras
provas sportivas realizadas nesse dia foram muito apreciadas e
aplaudidas”. A principal prova era “um jogo de football entre o
Galitos e o Atlético C. A., que foi arbitrado por Gentil dos
Santos, do CIF (Lisboa)”, que também seria categorizado árbitro
de futebol. E terá sido nesse dia, aproveitando a sua presença
para a arbitragem, que o recordista nacional de então fêz a sua
prova de 100 metros contra “desconhecidos” aveirenses.
Foi portanto o Atlético Clube Aveirense o impulsionador do
atletismo em Aveiro, em 1922. A comprovar uma carta de Mário
Duarte (filho) ao A. C. A., onde refere: “... meus caros amigos:
o Atlético triunfou. Podemos afoitamente declarar: foi o nosso
clube que iniciou em Aveiro a prática dos Sports Atléticos”. E
mais à frente: “... Ensinámos a partir para uma corrida, a
lançar o disco, o peso e a saltar...”.
Isto no que respeita a provas de pista (se ao campo do Cojo se
poderia chamar pista!...), porque há algumas referências a
“provas de pedestrianismo”, como eram simplesmente designadas as
provas de estrada. Socorremo-nos ainda do semanário “Democrata”.
Em 3 de Junho de 1923, refere-se que “se realizou uma prova de
pedestrianismo – a corrida da légua – promovida pelos srs.
Francisco Duarte e Hermenegildo Meireles, desde a meia recta da
Gafanha ao Campo do Cojo, na qual tomaram parte vários clubes
desta cidade. Chegaram em primeiro lugar: Mário R. Boavista, do
Sport Lisboa e Aveiro, Hermenegildo Meireles, do Recreio
Artístico, João de Rosa Lima, do Sport Clube Beira-Mar, João dos
Santos Silva, idem e Joaquim Gonçalves, idem”.
Noticia-se mais adiante (26 de Agosto de 1923) que “deve
realizar-se pela primeira vez nesta cidade uma prova atlética,
por estafetas, que se designará A Volta a Aveiro, sendo o
percurso de cerca de 10.000 metros com o seguinte itinerário:
Rocio, pela Beira-Mar à Estação, da Estação pelo Americano,
Ponte Nova, Rua Eça de Queiroz, Pombas, seguindo pelo lado do
Hospital até ao ponto de partida. Tomam parte as melhores
equipas entre nós organizadas”.
Não existe registo de resultados desta prova.
Mas uma outra, que se terá mesmo realizado, foi em 6 de Junho de
1924, conforme cita ainda o semanário:
“Na corrida da légua realizada no mesmo dia, os três primeiros
prémios foram ganhos pela ordem seguinte: 1º Mário Boavista, que
correu pelos Galitos, 2º Hermenegildo Meireles, pelo Recreio
Artístico, 3º Virgílio Cardoso, pelo Vitória Football, de
Espinho. Os corredores foram muito vitoriados à sua entrada no
campo da Corredoura, ponto términus da corrida.”
Já referenciámos as brilhantes mas efémeras “passagens” pela
modalidade, nos princípios dos anos 30, do Anadia F.C. e do
Internacional Atlético Clube. Em termos de resultados, como
vimos, mais brilhantes os dos atletas do Anadia.
Com referência às chamadas provas de pista, seguir-se-ia um
interregno, sendo retomadas alguns anos depois. Daremos notícia
do seu “reaparecimento” mais à frente.
Mas, ainda desta época, não podemos deixar de citar algumas
notícias soltas “ao redor das pistas”, utilizando o título de
uma página do almanaque desportivo que referimos no número
anterior, como por exemplo:
- Com a colaboração do Académico F. C. do Porto, a Oliveirense
organizou em 1933 e em 1947 (repare-se no intervalo entre os
dois torneios) interessantes torneios da modalidade;
- Em 25 de Junho de 1933, efectuou-se em Oliveira de Azeméis
(campo da UDO) o primeiro torneio de atletismo, em que Evaristo
de Abreu ganhou os 80 metros, Jorge Silva os 50 m. barreiras e o
triplo-salto, José Tuna o salto em altura, Fausto Tavares os 800
metros e António Abreu, Evaristo Abreu e Alberto Guimarães a
estafeta 3x80 m.;
- Com um “pulo” de 6,26 m., em Gaia, Luís Gonzaga, do
Internacional AC, de Aveiro, conseguiu na temporada de 1932 o 4º
melhor resultado português no salto em comprimento;
- A A. D. Sanjoanense também praticou atletismo com assinalável
aproveitamento. Uma referência para uma participação nos
regionais de juniores no Porto, em 1936, com acção meritória de
Manuel Leite, Paulo Pinho, Raul Pardal, Hernâni Bastos e Daniel
Nicolau.
Algum destaque tem de ser feito para atletas de Aveiro com
óptimos resultados a nível nacional, embora representando clubes
doutros distritos ou regiões.
Sem desprimor para os restantes, devemos destacar Francisco
Duarte, desportista completo competindo em várias modalidades, a
maior parte delas oficialmente, e que se notabilizou no
atletismo ao serviço do Académico Futebol Clube, do Porto. “Além
de haver ganho inúmeras provas de barreiras, saltos em
comprimento e em altura, triplo, dardo e peso, foi campeão
regional uma meia dúzia de vezes, no Porto e em Coimbra,
ganhando em 1927 e 1930 o campeonato nacional do salto à vara.
Duas vezes seleccionado para o Portugal-Espanha, classificou-se
em 2º e 3º lugar respectivamente em 1925 (Madrid) e em 1926
(Porto) na modalidade em que era especialista vezes seleccionado
para o Portugal-Espanha, classificou-se em 2º e 3º lugar
respectivamente em 1925 (Madrid) e em 1926 (Porto) na modalidade
em que era especialista e “recordman” (desde 9-6-1929 a
9-8-1931), com 3,30 m.” (citamos João Sarabando).
Este excelente atleta aveirense bateu o record nacional do salto
à vara em 1929 (com 3,30 m.), que pertencia desde 1914 ao atleta
do Benfica, Cabeça Ramos, (com 3,27 m), e o manteve em seu
poder, como se disse, por dois anos.
Ainda no salto à vara, um antigo atleta do Internacional A. C.,
mas agora concorrendo pelo F. C. de Gaia, Rogério Morais,
conquistaria em 1933 o título de campeão nacional de juniores,
com 3,10 m.
Acrescentando a estes dois atletas o nome de Tavares dos Santos,
referenciado no número anterior como um outro excelente saltador
à vara, verifica-se que esta tão difícil disciplina, que depois
conheceria períodos de “esquecimento”, tinha nessa época (anos
30) excelentes executantes.
Também não poderemos deixar de referir um outro atleta do
distrito, natural da Pampilhosa do Botão (Mealhada) que em
representação de “Os Belenenses” brilhou em Lisboa nas corridas
de meio-fundo. Trata-se de Joaquim Branco, que foi recordista
nacional dos 1.000 metros (2 m. 35,4 s.), 1.500 metros (4 m.
08,5 s.), milha (4 m. 31,7 s.) e 2.000 metros (5m 39,4s), este
último também record ibérico. Foi igualmente campeão regional de
800 metros (2m 1,3s).
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