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Os Primórdios
O atletismo é
um desporto natural por excelência e daí remontarem as suas
origens possivelmente à pré-história.
Cronologicamente é o desporto
número um e foi a razão de ser dos Jogos Olímpicos da
Antiguidade. Depois outros desportos se lhe
juntariam nos Jogos Olímpicos
modernos.
Em Portugal, a
primeira prova oficial efectuou-se em 1910. A Federação
Portuguesa de Atletismo, que preside aos destinos da modalidade,
seria apenas fundada em 05-11-1921, então ainda com a designação
de F. P. Sports Atléticos.
No distrito de Aveiro, o atletismo começaria a ser ensaiado
igualmente nos princípios do século; e, embora haja referências
a algumas provas realizadas em 1924 (ver
notícia em separado), poder-se-á dizer que só nos
anos 30 se efectuariam torneios "a sério", que incluíam todas as
provas do programa de então.
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Do arco-da-velha
Estava-se em 1924 e Mealhada assistia, salvo erro pela
primeira vez, a um torneio de atletismo.
Quando tudo fazia crer que nada de estranho ocorreria,
levantou-se enorme burburinho.
Prestes a disputarem-se os 100 m., Mário
Duarte, concorrente de Aveiro, tivera o cuidado de
fazer covas para a partida. Com tal "partida", porém, é
que não concordaram os adversários de certa cidade não
longínqua, e daí, protestarem calorosamente...
Ignoramos se ao fim e ao cabo as "covas" foram
inutilizadas, mas sabemos que, com ou sem elas, Mário
Duarte venceu facilmente a prova... |
Anadia era então o centro das actividades desta modalidade; e
chegou mesmo a ser o terceiro centro do país. O Anadia Futebol
Clube iniciou as suas actividades no atletismo em 1929, mas
viria a abandonar depressa, mais exactamente em 1934, cinco anos
depois.
Datam de 1932 os primeiros torneios realizados contra equipas de
outros distritos, como foi o caso do Anadia-Gaia, efectivado no
campo dos Olivais, em Anadia, e o II Anadia-Gaia, ou melhor, o I
Gaia-Anadia, porque disputado no campo de João de Deus, em Gaia.
A selecção de Gaia era composta por atletas do Vilanovense, F.
C. Gaia, Coimbrões e Candal, enquanto Anadia era representado
por atletas do Anadia F. C..
Os bairradinos triunfaram as duas vezes, em casa por 74 pontos
contra 41; e em Gaia, por 70 pontos contra 53. Como se vê, foi
grande a superioridade dos atletas da Bairrada sobre os seus
adversários.
Para que conste, o programa incluía as provas de 80 metros, 150
metros, 300 metros, 1000 metros, 3000 metros, 83 metros
barreiras, 3x300 metros, 5x80 metros, comprimento, altura, vara,
peso, disco e dardo. Já se faziam resultados bastante razoáveis
para a época como 9,2 s., nos 80 metros, por Manuel Matos; 6,15
m., no comprimento, por Marceano Veiga; 1,61 m., na altura, pelo
mesmo atleta; 3,00 m., na vara, por Tavares dos Santos; e 40,55
m., no dardo, por Marcelino Veiga, resultados estes que muitos
anos depois ainda seriam pouco habituais nas nossas pistas.
Ainda no mesmo ano Anadia disputou idênticos torneios com
Mortágua, primeiro no campo da Gândara, em Mortágua, com
retribuição no campo dos Olivais, em Anadia. A superioridade dos
bairradinos voltou a manifestar-se em ambos os torneios (29
contra 11 pontos e 47 contra 21 pontos, respectivamente).
Em Mortágua, no decurso do primeiro destes torneios, o atleta do
Anadia, Manuel Matos, bateria o recorde nacional do salto em
comprimento, que pertencia ao tempo ao benfiquista Américo
Antunes 6,49 m.), transpondo 6.60 m. Porém a marca não foi
homologada, porque os organizadores do torneio não haviam
solicitado representantes à Associação de Atletismo de
Coimbra...
Manuel Matos era então o nome mais prestigioso da equipa do
Anadia F. C. e um bom atleta a nível nacional (ver
caixa).
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Manuel Matos
Atleta e futebolista bairradino assaz conhecido, Manuel
Matos distinguiu-se
principalmente como corredor de velocidade. Conquistou
inúmeras vitórias em provas de atletismo efectuadas em
Lisboa, Coimbra, Aveiro, Figueira, competindo com
praticantes de nomeada.
Campeão Regional (Coimbra) de saltos em comprimento,
dardo, 5x80, 3x300, 80 e 300 metros, Manuel Matos culminou
a sua brilhante carreira de atleta com um título nacional
de juniores, na prova de 80 metros (Salésias, Lisboa,
1932). Salientou-se no decorrer do IV Concurso de "Os
Sports", desbobinado no Estádio do Lumiar, ganhando a
prova de 60 metros.
Dos mais altos valores da equipa de Anadia, que brilhou no
firmamento do atletismo português, Manuel Matos foi um dos
seleccionados para representar a Cidade Universitária em
100, 200, 4x 100 m. e estafeta sueca no I Coimbra-Lisboa.
Manuel Matos, do lote de nomes mais prestigiosos da
desportiva região da Bairrada, nasceu em Anadia a 25 de
Março de 1910. |
Um outro atleta desta colectividade, que igualmente se destacou
na modalidade, foi José Júlio Duarte, que chegou a igualar dois
recordes nacionais: em 1931, no decurso do III concurso de "Os
Sports", em Lisboa, o dos 60 metros (7 s.), e em 1933, também em
Lisboa, durante a final dos Campeonatos Nacionais, em que ganhou
o dos 80 metros (9 s.).
Também Tavares dos Santos, com a marca alcançada no salto à vara
(3,02 m.), figurava na 5ª posição na lista dos melhores
saltadores do ano (1932), nessa tão difícil especialidade.
Na cidade de Aveiro, apareceria, no ano de 1932, o
Internacional Atlético Clube, que teve a sua sede inicial na Rua
de Domingos Carrancho e, posteriormente, na Avenida Central.
Desempenhou igualmente um papel de relevo na propaganda do
atletismo, embora efémero. O clube organizou a sua última
manifestação desportiva em 1936; portanto só durou quatro anos a
sua actividade, situação em tudo semelhante à do Anadia F. C.
Desapareciam muito depressa estas colectividades, situação que
acontece com frequência ainda nos nossos tempos. Porque será?
Em 21 de Agosto de 1932, "desafiaram" (ou foram "desafiados")
Anadia para um torneio (o I Anadia-Aveiro) que viriam a perder
por 68 pontos contra 33. O Anadia F. C., como atrás se disse,
era uma grande força na modalidade...
Aveiro, ou melhor, o Internacional Atlético Clube, viria apenas
a vencer as provas de lançamento do disco, por Lino Rocha, com
29,53 m., e os 300 metros planos, por intermédio de João
Sarabando, com 40 s.
João Sarabando, o conhecido jornalista de Aveiro a quem se
agradecem as notas de um seu
"almanaque" desportivo, que lançou na década de 1950 e que
estão a ser utilíssimas neste trabalho.
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